Manuel Maia
A essência
Da tua existência
Está no entendimento
Do teu sentimento.
E porque és mulher
É para o sentimento estéctico
Que voa meu pensamento.
Para aquele estado
Em que o subjectivo
Se confunde com o objectivo
E estes…com o Amor.
Esta confusão
Só desaparece
Com a intrusão
Da sensação
Em concepção.
Clarinha,
Quando entenderes isto
Que teu avô
Agora diz,
(Já que ele escreveu,
Apenas e tão só,
Para matar a solidão
E ser um pouco feliz
Ao pensar em ti)
Quando entenderes…
Serás uma mulher
Adulta, normal e culta.
E eu,
Esteja onde estiver,
(Sei que vou estar
Muito longe do teu olhar)
Mas sempre no lugar certo
Onde te possa ver perto…
POEMA À MINHA NETA
Vai, Clarinha,
Vai já,
Porque a vida espera por ti
Mesmo ali
Ao virar da esquina
Por trás de cada segundo.
Aproveita o viço que a vida te dá.
A Vida é uma viagem: um adeus que caminha!
Vai minha menina, traquina, ladina…
Porque é teu o mundo!
Vai, e faz da luta pela vida
A tua locomotiva.
Vai, Clarinha, vive,
É urgente que vivas!
Sei que tens uma vida pela frente
À tua espera.
Mas, atenção:
Não vive o presente
Quem está na primavera
À espera do verão,
Segue o exemplo do sol
Que espalha luz, magia,
Vida e alegria
Pelo mundo fora
Quando diz “bom dia”, ao dia,
Todas as manhãs, pela manhã,
Ao romper da aurora.
Vai sem medo,
Mas deixa-me dizer-te um segredo:
O caminho que seguires
Vai dar ao mundo que construíres.
Por isso, o mal ou bem que fizeres
Para ti voltará.
No Bem, encontrarás AMOR,
No mal, ódio e rancor.
Sei que te irás queixar
Por não te sentires retribuída
Na mesma justa medida
Pelo Bem que fizeres.
Mas não te incomodes,
Pois tal ingratidão
Faz parte deste mundo e tempo
Em que te coube, em sorte, viver…
É aqui, então,
Que vais sentir
O verdadeiro peso da solidão!
Continua, pois, a dar o Amor que puderes,
E eu sei que podes
Porque dos teus pais o recebeste.
Por isso, te digo eu,
Só pode dar Amor
Quem Amor recebeu.
Dar Amor
É ter a certeza de contribuir
Para um mundo melhor!
mcdacostamaia@gmail.com
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