Maria Acilda Almeida
Portugal Portugal já não tem barcos olhando o horizonte Nem caravelas a partir rumo a oriente a descobrir As ruas esvaziaram , o cinema mudou o seu lugar, as escolas adormeceram ,os paquetes também adormeceram pachorrentos no cais sem ninguém para os fazer sonhar e as lojas cheias de tudo são lugares interditos a cada um entrar e os cafés são apenas lugares ao sol onde a primavera ,assim, a passos amedrontados vem incautamente seu lustroso matiz mostrar e as esplanadas com olhar vidrado no mar têm lugares onde já ninguém se vem sentar, as praças já só têm árvores em seu triste assomar e onde os pássaros estonteados vêm sua liberdade gritar… Os rios pujantes estão mais claros e até o mar menos denso menos plúmbeo o céu e menos acinzentado em seu silêncio invulgar e onde aviões ensurdeciam em seu ruidoso cruzar Já não se trocam beijos, e os abraços aguardam e são dados apenas com o olhar… Mas Portugal é ainda ´canção , o mesmo cravo de abril Sereno em seu triste desbotar é Grândola...