Alice Branco



Quatro cantos, quatro lados

Quem te dera, quem te dera
correr, pular e saltar
hoje entrou a Primavera
aproveita, vai brincar.

Está a acabar o cinzento
está a chegar o lindo verde
tens algo no pensamento
o atravessar da rede.

Ultrapassarás a rede
sairás da escuridão
hoje em ti é tudo verde
não sentes tristeza... não.

Assim, só ou acompanhado
abre a porta e sai para a rua
e grita por todo o lado
a esperança é minha... é tua.

Se uma árvore fores saudar
sentirás a esperança
que de novo irás voltar
à pureza da criança.

É Dia da bela Árvore
tudo é verde, tudo é cor
é Dia da Primavera
tudo renasce em flor.

É Dia de Lua Cheia
tudo é luz, tudo é luar
é Dia da Poesia
tudo enfim, vai melhorar.

É Dia Contra o Racismo
digo alto, nunca mais
aceito o Dia do Altruísmo
dizer sim, nunca é demais.

Dia Contra o Racismo
Árvore, Poesia e Primavera
os quatro cantos do Mundo.
Quem te dera, quem te dera
viver nele numa realidade
de união, paz e abundância
envolvidos num amor muito profundo.

Não há fado sem poema

Não há fado sem poema
Mas há poema, sem fado.
Não entro nesse dilema
porque para mim tudo deve estar unido
nada estará separado.
O fado é muito ancestral
do tempo dos velhos Celtas de outrora,
antes de existir Portugal
já dele havia memória.
Cantado dentro de portas
até alta madrugada
as palavras eram vivas e não mortas
e as músicas eram toques de alvorada.

Surgiu a bela Severa
que trouxe o Fado prá rua
nesse tempo, nessa era
Mouraria era sua.
Lucília do Carmo canta
na música do Fado das Horas
Maria de Magdala, essa santa
que ainda hoje nos transmite
suas sagradas memórias.
E o guitarra, o Armandinho?
E o Pacheco a acompanhar
a Hermínia Silva, no seu fadinho
que é deveras popular?
E “povo que lavas no rio”
de Pedro Homem de Melo

e a Amália com a sua voz e o seu brio
tornou poema ainda muito mais belo...

E “O Amarelo da Carris”
que Ary dos Santos escreveu
e Carlos do Carmo logo o quis
e tão bem o defendeu.
E a seguir surgiram os “putos”
que a Ary escreveu e Paulo de Carvalho cantou
e na rua, os rapazes davam chutos
e surgiu a liberdade
e todo o fado, mudou...
E agora há vozes melodiosas
que cantando nos recordam diversos temas
Kátia Guerreiro, Gizela João, Camané, Carminho, Ana Moura e Ricardo Ribeiro
são pessoas talentosas
que escrevem os seus próprios poemas
e sentem o fado, levando-o ao mundo inteiro.

Este nosso belo Fado
que é a Canção Nacional
ouve-se por todo o lado
é Património Mundial.
Eu, como Matemática
o espalharia muito além do infinito
Camões, grande poeta
o levaria muito além da Taprobana.
O nosso fado é bendito
vem da Alma Lusitana,
o nosso fado é bendito
vem da Alma Lusitana.

Alice Branco

Nasceu no Porto, em 18 de Março de 1939. Licenciada em Matemática pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, foi professora do Ensino Secundário. Ministra cursos, palestras e conferências. 

mandalalys@gmail.com 

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