Cito Loio


O QUE PUDE
(soneto citolóibrico)

Soltei qual fera um vibrante rugido
num grito de luso africano traído,
e ouvindo rufares de mil batuques
dei conta dos fazedores de truques.

Cantando então iniciei nova epopeia,
que a vil traição jamais se premeia,
e evitando incómodo embargo de voz
sublimei a bravura d'egrégios avós.

Tarde tentei olvidar erros passados,
suster 'revolta com outros fados
por irrecuperáveis 'sonhos da juventude,

E eloquente escrevi o que pude
elogiando da pátria heróis abandonados.

Cito Loio



BEM VINDA

Fugitivo das chineladas de minha mãe
e sobrevivente duma escusada guerra,
enfrentei depois inqualificáveis insultos
de gente que já nascera sem dignidade.

Tardou sei, mas acabei vendo também
venderem aquela dita ser sua ditosa terra
sabedores serem titulares de indultos
mesmo escamoteando por dinheiro 'verdade.

Mas tem a mentira diz 'ditado curta a perna,
acostada em palácios ou numa caserna,
ao nascer do Sol ou a cada noite finda.

E conquistada de novo a almejada paz,
sabendo-se de tudo ser a natureza capaz,
chegada a hora será, e sempre, bem vinda.

E há, quem em silencio, a espere ainda.

Cito Loio



POR LOCAIS DE ISRAEL

Desfrutando bom tempo em Telavive
observei desfilar risonha a liberdade
ao mergulhar numa praia segura
sacundido do corpo esbelto a areia.

Mostrou como certa gente vive
entre abraços de sã fraternidade,
e que a vida vale pelo que dura
pois idos só dela 'memória perdura.

Revivi ainda, de Nazaré a Jerusalém,
consolado, do tempo de juventude,
imagens breves dum amor ardente.

E sem meio d'apagar o inconsciente
reconheço ora tudo o que ele alude
incluindo 'perda de 'nha primeira mãe.

Cito Loio
adolfo_maior@hotmail.com

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