Concha Rousia
NATURAL-MENTE
Não pinto os olhos
porque os olhos são para eu ver
e não para que outros os vejam
Não pinto os lábios
porque quero é morder a maçã
não ficar a espera de um Adam qualquer
Não me visto com saia curta, ou sim
...depende do tempo no meu interior
do calor que sinta, e não da moda
Não riço as pestanas
quero que apanhem o pó da vida
que cegaria o meu olhar, e eu quero ver
Não pinto os meus cabelos
porque não quero enganar-me nos espelhos
e levar os demais a engano não me interessa
Não atento contra o meu corpo
com lipoaspirações, injeções de silicone
para apagar linhas de expressão na pele
labradas marcas do tempo na minha vida
Não, não faço isso, porque eu
Naturalmente, respeito a minha natureza !
QUANDO OS CARVALHOS FALEM
Quando os Carvalhos falem
Entenderei como doem os nós na carne
E em lugar de lágrimas haverá risos
e divertimento neste nosso teatro
Quando os Carvalhos falem
as minhas jóias serão landras e bugalhos
e os meus cabelos ramalhos com folhas que voam...
Quando os Carvalhos falem
pararei-me a escutá-los sem trégua
calarei e ficarei para sempre viva
Embora todos achem que estou morta.
A PALAVRA
Toda a palavra
sustém a raiz
de um verso
Toda a palavra
é essência da flor
de algúm poema
Toda a palavra
é um elo eterno
Toda a palavra
e mistério
Toda a palavra
é deidade
E quando a damos
quando a damos:
Oramos....
Concha Rousia
concha.rousia@gmail.com
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