Eldad Mário Neto
São os meus olhos de ver e de não ver
Da cor com que se veste a ilusão.
Esta boca que te beija não é minha,
Mas a tua, que me beija, também não.
Vamos deitar os corpos já cansados,
A noite, sem estrelas, traz, em vão,
Sonhos que sabemos arredados,
Da crueldade fria da razão.
Amanhã, pensei, um sol virá,
Cobrir-nos de calor, de boa sorte,
Numa figura de fada o céu trará,
O horizonte claro, o vento norte.
São os meus olhos de ver e de não ver,
Da cor com que se veste a ilusão.
É que esta boca que te beija não é minha,
Mas a tua, que me beija, também não.
Eldad Mario Neto
Li a tua mão.
Império de linhas feito.
Grade a quebrar no impulso da libertação.
Iniciava o gesto.
Ali, estavas. Tudo estava.
Palavras e silêncio.
O olhar veio como nunca.
Ribeira a chorar por mar.
Tanto mar!
Ofegante? A pele segredava.
Veio o frio da noite.
Entraste depois dos lábios.
Dedos, não esqueçam!
Ontem foi sempre tarde.
Eldad Mario Neto
eldadmarioneto@hotmail.com
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