João Nunes Carneiro
Casas Assombradas da Minha Aldeia
*
Nas casas devolutas e assombradas
Sussurram espíritos e esqueletos
Deambulam fantasmas, almas penadas
Nos corredores, jardins e coretos.
*
Nestas casas velhas profanadas
pelo tempo
Entre as teias de aranha e caruncho
vivem herbáceas,
insetos, minhocas, fungos e funcho.
*
Dos tetos caem tábuas, barrotes e ripas.
Do chão, levanta-se o velho soalho.
Na adega, dantes havia tonéis e pipas
Úmido ermo chão de terra e cascalho.
*
E cá fora, ouvem-se murmúrios
e gemidos soltos do interior.
Entre as silvas e o telhado, uiva
o vento que sopra forte.
E nos gritos abafados pela dor,
fede ainda o odor da morte.
*
Em noites escuras de denso nevoeiro
por entre as silvas e o chão... Jazem
cobras, doninhas, ginetos e lagartos
por d'entre as fétidas ripas do palheiro
veem-se ratazanas, víboras e ratos.
*
No ecoar dos primeiros sons matinais
Ouvem-se vozes e gritos.
Barulhos estridentes,
dissonantes gargalhadas, galreadas, ais
rangeres de dentes,
algazarra, farra de apitos,
que pela espinha escorre o medo
a qualquer de nós, comum dos mortais.
Levantam-se folhas secas em rodopio
como morcegos a esvoaçar no estio
num céu escuro de neblina
antes do sol-pôr sobre a colina.
*
Estabelece-se o medo e assombro
nessas sombrias casas devolutas
desabitadas...
Paredes ao alto destelhadas, fétido
ninho de cães, gatos, ratos e pulgas
bem estimadas.
Meu Colibrí
Da tua boca
Bebo um suave
beijo, doce mel,
embriago-me de ti…
Na suavidade
de tua língua colibri.
***
D'onde recebo o néctar
doce, embriagante de ti…
E…
Num abraço percorro-te
todo o corpo, num afago,
amasso d'alma,
em ti me desfaço
derretendo-me
na devassidão calma
do meu olhar espaço.
***
Avassalador coração
torrente de amor,
minha eterna escravidão
que num sôfrego beijo
me desfalece de tensão.
E gosto. Não me queixo
meu colibrí…
Num bater de asas,
num bater de asas sem parar...
Em ti, em ti...
Em teu beijo me abraças
E, sempre me quererás beijar.
Confinado Na Saudade
**
Deambulo amedrontado, pensativo
Tenho saudades do que vivi
Espero pelo melhor, mas apreensivo.
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O Mundo não mais será igual
As pessoas serão as mesmas
Agindo de diferentes formas
O que já se vê, parece irreal
Estamos a sair fora das normas.
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Intolerância, sarcasmo, imoralidade
Racismo, hipocrisia, insanidade
O Mundo perdeu-se numa pandemia
O homem contraria a felicidade
Torna-se predador, egoísta dia a dia.
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Oportuno, animal, até mal-feitor
Aproveita-se da situação real
Para encher seu saco do vil metal
Que nós, o Estado põe ao seu dispor.
**
No entanto continuam os operários
a trabalhar
para o mero e desprezível capital
Quando em lay-of, em casa confinados
deveriam estar.
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É o país que temos, feito do que somos.
Não sabemos denunciar ninguém
Ainda que em prejuízo nosso, de todos
Nos entristeçamos nós,
mais sinceros e honestos também.
O Mundo será sempre pior enquanto essas mentalidades ignorantes, egocêntricas não mudarem de atitude e não entenderem que ninguém vive sem ninguém e todos nós precisaremos de todos.
"A sorte é algo frágil que não se pode perder."
João Nunes Carneiro,
Nascido na freguesia de Casais, concelho de Lousada a 15 de Setembro de 1957
Estudou na Escola Industrial e Comercial de Penafiel no curso de geral de mecânica, vindo depois a especializar-se em mecânica de máquinas de costura industriais para vestuário e calçado.
Cedo despertou para a poesia e pintura, vindo mais tarde, a publicar poemas seus em várias coletâneas, assim como num livro que editou com o nome de(Folha Rasgada).
Na vida profissional dedica-se ao restauro de máquinas de costura domésticas antigas, trabalhando para colecionadores.
Dedica-se também à venda e restauro de móveis antigos.
Como obi : tem a escrita, pequenos textos, crônicas, poesia...
Outros escritos ocasionais, pensamentos filosóficos, também dedica parte do seu tempo às artes plásticas, carpintaria,escultura de pequenos artefactos em madeira, pinturas em artefactos de barro e pedras que encontra com frequência nas praias, montanhas ou rios. Adora a natureza, as pessoas, animais e todas as coisas, é um amante da natureza.
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A natureza é pura poesia para os olhos alma e coração.
João Nunes Carneiro
joaonunescarneiro812@gmail.com

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