José Faria
José Faria
Natural de Pedrouços, Maia, a sua iniciação poética manifestou-se ainda na
escola primária ao criar quadras de ocasião. Para além da sua atividade
profissional de funcionário público dos serviços sociais e de saúde, foi
redator principal do Jornal da Maia e artesão/escultor/entalhador. Presente
em várias coletâneas, publicou em 1985, como ensaio, o seu primeiro livro
de poemas intitulado “Beirões”. Em 2006, “Contos e Versos do Meu
Caminho” (prosa e poesia) e em 2017, poesia de sonetos, “Atalhos”.
- “A leitura traz ao homem plenitude; o discurso, segurança; e a escrita,
precisão”. – Francis Bacon
OPERÁRIO
Calosas mãos sempre entorpecidas,
Seca a pele dura pelo cimento;
É também a branca cal esquecimento,
Só se mantém o saber em mãos feridas.
Saber de ti, qualidades esquecidas,
Noutros há onde não há esquecimento;
Que te dão, com fim no lucro, sofrimento,
Dilatando de riqueza ócias vidas.
Mais um dia sobrevives e são doridas,
Essas mãos que ao mundo dão aumento;
Dissipa-se o que é teu e por direito,
Restando só essa côdea que mastigas.
Sobre o solo as tuas obras são erguidas,
Porque lutas pela vida contra o tempo;
De sadia existência há impedimento,
Para as mãos que as cria e são devidas.
Dão-te valor dóceis palavras, fingidas,
Falsas razões, vãs, que te são tormento;
Dá-te a fome obrigado ensinamento,
E morrendo vais de forças emagrecidas.
O DOURO DOS POETAS
Encontrei o Douro a dormitar,
Junto à sua foz, ressonando;
Temendo a sua luta com o mar,
E a ver o seu fim aí chegando.
Tranquilo junto ao rio a caminhar,
Fui vendo suas águas se abanando;
Se erguendo na coragem de enfrentar,
O mar que o foi abocanhando.
Rio de paz e bravura dado à gente,
Que montanhas rasgou até à foz,
Levando água à vida, à natureza.
Continuará correndo entre nós,
Por gerações continuará sua grandeza.
E trará mais poesia na corrente.
O PINHEIRO
Que o pinheiro não tenha ilusão,
Que a descendência fique a seu lado;
Já na terra se enterra o pinhão,
Um novo destino, atualizado.
Pensará diferente com outra razão,
Novo crescimento e outro cuidado;
Com um mais saber e mais formação,
De onde nasceu, já mais afastado.
Será pinheiro como sua origem,
Há-de ser enorme, possante também,
Libertar das pinhas os novos pinhões;
Que voarão com ou sem vertigem,
Quando ainda minúsculo e zé-ninguém,
Nos primeiros passos de ilusões.
zemaiato@gmail.com
Obrigado Galeria Vieira Portuense. Um abraço a todas as poetisa e poetas.
ResponderEliminarObrigado apoio, José Faria!
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