Leonor Reis



Maria Leonor Martins Reis Filha do Poeta Castro Reis, desde muito cedo tomou o gosto à poesia, que herdou do seu pai.
Trabalhou na faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, (tesouraria).
Em 2004 publicou o seu primeiro livro de poemas a que deu o título (Poemas feitos de saudade). Foi durante muitos anos Presidente da Direção Do Grupo de Estudos Brasileiros do Porto.


A meu neto ou neta

Como tardas em chegar
E como fico ansiosa,
Temo que não chegues a tempo
Para que eu tenha tempo para te amar.
Amar o teu corpo, o teu sorriso
A luz do teu olhar.
Mas continuo ansiosa
Porque tardas em chegar
E nesta minha loucura
Vou caminhando apressada
E sinto a lonjura da longa caminhada.
Meu corpo cansado
Não por te esperar
Mas pela ansiedade de te ver chegar.
Fico mortificada
De imaginar como serás,
Se algum dia serei por ti amada
E na minha solidão, fico mais só
Mas sei que um dia virás
E me chamarás
Querida avó.
De, Leonor Reis

A minha estrela

De tanto olhar o espaço e o firmamento,
Á procura daquela estrela luminosa,
Perco o olhar e alongo o pensamento,
Numa corrida louca e vertiginosa.

Mas da tal estrela, nem o rasto,
Talvez esteja, no meio de alguma constelação
Pois quanto mais a procuro, mais me afasto,
E aos poucos vou perdendo a razão …

Não sei porque nenhuma estrela me guiou,
Por meu fado, por destino ou condão,
Nenhuma desceu do céu e me ajudou

E a vida fui vivendo, sempre à procura
Da tal estrela para me dar sorte
E quem sabe, se no infinito da lonjura,
Ela estará lá para me guiar na morte.

De, Leonor Reis

Aos sem abrigo

Paredes nuas que o tempo enegreceu
Vidas sem amor, que se cruzaram,
Pensamentos que o tempo corroeu,
Lembranças que da memória se apagaram

Vazio todo o pensamento,
Alma desnudada fria
Voando nas asas do vento
Ou repousando em dura cama fria.

Que mais podem querer os desventurados,
Aqueles a quem a sorte não deu nada
Os sem abrigo, os mal amados,
Os que seguem em triste caminhada.

Esses para quem a vida é sempre dura
E a dor no seu peito se instalou,
Quem sabe, se um dia na sepultura,
Terão tudo que a vida lhes negou.

De, Leonor Reis

susanacrmiranda@gmail.com

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