MANUELA CALDEIRA
BÁLSAMO
Os sons dançam em azáfama de alegria…
Cores com aroma a pêssego transportam um manto de água salgada.
O céu, cada vez mais baixo, desfaz palavras e abraça horas sem sono
Num rumor macio ,a lua antecipa as marés…
A nudez desafia a natureza.
O corpo veste o silêncio num texto líquido de mel trazendo canções
do tempo em que havia tempo.
Maio deixa saudade…
DOMINGO
Espaços vazios.
Alma nua.
As mãos dormem em cinzas infinitas
embalando sombras e inventando tempo.
Há gente dentro dos livros num refúgio de palavras…
Suspiram lembranças na memória do corpo
em ecos quebrados que nos prendem a voz.
O céu rompe o esquecimento
envolvendo a tarde num véu diáfano, quase limpo…
Resvala a brisa,que se percebe pelo toque dos dias parados.
É domingo.
MANUELA CALDEIRA
M. Manuela Caldeira, é natural do Porto e licenciada em Filologia Germânica
pela F.L.U.P.
Exerce funções docentes no grupo 330.
Escreve para fazer da vida também uma memória de
afetos…
m.manuelacaldeira@gmail.com
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